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Bellintani confia em permanência de Gilberto, não descarta renovações


Bellintani confia em permanência de Gilberto, não descarta renovações

No dia 18 deste mês, o presidente Guilherme Bellintani completa um ano à frente do Bahia. Neste período, foi campeão baiano, vice da Copa do Nordeste, parou nas quartas de final da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana (fase inédita para o Tricolor) e ficou na 11ª primeira posição no Campeonato Brasileiro, melhor colocação do clube na era dos pontos corridos. Apesar desses bons resultados, o caminho nem sempre foi de tranquilidade. No seu primeiro ano à frente do clube, Bellintani teve que trocar treinador, se frustrou com um vice-campeonato em casa e também viu a torcida protestar no momento mais delicado do time.

Perto de completar um ano, Guilherme Bellintani recebeu o GloboEsporte.com para fazer um balanço da temporada. Para ele, um ano em que o Bahia avançou principalmente fora de campo, com crescimento financeiro, e que, aos poucos, tem feito com que isso se reflita dentro de campo. Como lamentações, o gestor aponta a troca de treinador como um movimento que não o agrada, erros pontuais de contratações e a não aplicação do núcleo de inovação e tecnologia.

Bellintani também projetou 2019, explicando o orçamento de R$ 140 milhões para a próxima temporada e revelando os objetivos do clube. Por fim, avaliou o que falta para o centroavante Gilberto renovar com o clube, o que vai ser feito com o dinheiro da venda de Zé Rafael, o assédio sobre o meia Ramires e revelou que pensa em até 12 contratações no primeiro semestre. Confira abaixo a entrevista completa.

GloboEsporte.com: Você completa agora em dezembro o primeiro ano como presidente do Bahia. Qual o saldo inicial deste mandato?
Guilherme Bellintani: 
Ano que o Bahia avançou muito fora de campo, seguiu em uma linha de avanço com reponsabilidade administrativa e financeira, conseguindo se sobressair em um momento em que o futebol brasileiro está em uma crise econômica muito profunda. Com vários clubes atrasando salários, uma falta de planejamento que virou regra no futebol brasileiro. O Bahia conseguiu se estabilizar e avançar bastante fora de campo. Dentro de campo a gente nota um avanço gradativo, como são os reflexos dentro de campo, mas consistente. O clube chegou em 6º na Sul-Americana, 6º na Copa do Brasil, campeão estadual, perdemos a final da Copa do Nordeste, o que considero um acidente de percurso. Já tínhamos feito a melhor campanha, tínhamos um time que infelizmente não conseguiu mostrar em campo a superioridade que teve até aquele momento. No Brasileiro, a gente pontua um pouco mais na frente, na 11ª colocação, em relação ao ano passado. E esse conjunto a gente pode avaliar que uma das melhores campanhas do Bahia nos últimos 15 ou 20 anos. Balanço muito positivo, o que não quer dizer que a gente não tenha problemas, que não tenha umas crises para administrar e avanços grandes para galgar, conquistar ainda em 2019 e nos anos seguintes.

Você anunciou orçamento de R$ 140 milhões para 2019. Pode detalhar como projetou essa receita?
Quando cheguei no clube, em dezembro de 2017, a gente encerrou com R$ 102 milhões de orçamento. Em 2018 passaremos de 120%, um crescimento de quase 20%. Em 2019 vamos repetir esse crescimento, em torno de 15 a 20%, podendo ultrapassar R$ 140 milhões, que é uma marca importante para o clube, uma marca histórica. Hoje o futebol brasileiro é dominado pelo poder econômico, e o Bahia consegue se aproximar da elite econômica do futebol brasileiro, que é formada pelos quatro clubes do Rio de Janeiro, os quatro de São Paulo, os dois de Minas Gerais, os dois do Rio Grande do Sul e o Atlético-PR, 13 clubes que estão à frente do Bahia em poder orçamentário. A gente consegue diminuir essa distância, o que fatalmente terá impacto dentro de campo nos próximos anos.

Com a maior receita da história do clube, o Bahia passa a ser o clube do Nordeste com maior receita. A reponsabilidade aumenta? 
Muito. Sempre que aumenta a expectativa da torcida, aumenta nossa responsabilidade. O que falamos sempre é que é preciso manter os pés no chão.

O Bahia ainda é um clube pobre, endividado, com sérias limitações financeiras, fruto de uma irresponsabilidade de 15, 20, 25 anos na gestão do clube. A gente tem um trabalho muito grande para colocar o Bahia na posição de reconstrução. A gente sempre diz que está reconstruindo um clube gigante. Precisamos ter noção dos nossos limites, da nossa responsabilidade.

Como está a negociação pelos direitos televisivos? Houve avanço na negociação?
Continua um pouco estabilizado, paralisado. Tanto as nossas renegociações de contrato com a Turner, Esporte Interativo, quanto as negociações com a Globo. Diria que há pouco avanço nesse aspecto. Mas não estamos com pressa. Entendemos que tudo acontecerá no momento adequado.

Então não tem prazo?
Não tem prazo. O prazo é o começo do campeonato, que é abril do ano que vem. Se até lá não tiver fechado, paciência. Vamos sem o contrato. Se tiver fechado, bom para todo mundo.

Planeja aumentar a receita de patrocínio?
Receita de patrocínio a gente projeta quase estável. Crescimento muito pequeno. A gente faz uma leitura do mercado, entende que o mercado está em momento de paralisação, não teve uma retomada econômica que certa forma nos dê otimismo para captação de receita via patrocínio. No orçamento do ano que vem é estável em relação a esse ano.

Uma das novidades do Bahia nesse ano foi a marca própria de uniformes. Ela já teve algum impacto nessa receita?
Naturalmente esse retorno vem com o tempo, quando fecha o ciclo de um ano. Mas os índices de venda são superiores ao que tínhamos hoje. E como nossos royalties saíram de 10% para 35%, a gente entende que a marca Esquadrão vai dar muita alegria ao torcedor, na sensação de identidade com o clube e também na questão econômica, de aumento de arrecadação.

Você anunciou que a folha do Bahia deve subir de 5% a 10%. Acha que isso pode levar o tricolor a ter planos mais ambiciosos tanto em contratações quanto em competições para 2019?
O que digo sempre é que é preciso ter pés no chão e cabeça nos extremos. É o que temos sempre buscado. Pés no chão no sentido de só gastar o que pode gastar, coerente das responsabilidades, cumprindo compromissos assumidos com atletas, fornecedores, com a gestão da dívida, que é muito grande. Mas é sempre preciso sonhar um pouco mais, entender que é possível ir mais além. A gente lida com emoção, com a torcida, que é extremamente apaixonada pelo clube, e que quer ver o clube a cada ano um pouco melhor do que foi no ano anterior. A gente está sempre dizendo que um clube deste tamanho, que se destruiu em 10, 15, 20 anos, demora muito tempo pra ser reconstruído. A gente está cuidando disso com responsabilidade.

O orçamento cresceu, mas você segue defendendo a política de “pés no chão”. Acha que um período como esse também se mostra arriscado para o clube?

Com certeza. Esse é talvez o momento mais perigoso. Quando a gente começa a ter alavancagem econômica, acha que está bem, cheio de poder e começa a meter os pés pelas mãos. Acho que esse momento vários clubes brasileiros se perderam.

O Bahia tem estudado muito esses casos, eu pessoalmente tenho lido muito sobre a origem da falta de controle e de organização de diversos clubes brasileiros. E quase sempre essa desorganização se dá por prepotência, arrogância, sensação de poder ou respostas rápidas para a torcida, que fatalmente a médio prazo não funcionam. Prefiro sofrer um pouco mais, ser criticado ou questionado por não trazer jogadores de peso, por não trazer jogadores com salários maiores, do que a dois, três anos ver meu clube ser destruído por irresponsabilidade.

Zé Rafael foi negociado para o Palmeiras na maior transação da história do clube. Como esse dinheiro deve ser utilizado?
Esse dinheiro entra no orçamento de R$ 140 milhões. Grande parte desse dinheiro a gente recebe em 2019. Isso significa que compõe a lógica da venda de atletas.

 

Autor: ,postado em 05/12/2018


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