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STJD no pune Carol Solberg


STJD no pune Carol Solberg

O julgamento foi de Carol Solberg. Mas a sentença é para todos os atletas.

A atleta do vôlei de praia falou “Fora, Bolsonaro”, ainda em quadra, logo depois de receber a medalha de bronze numa etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia.

O julgamento, curiosamente, foi muito mais comercial do que político. O procurador do STJD, Wagner Dantas, frisou que não era a liberdade de expressão que estava em jogo. Segundo ele, Carol, assim como todos os participantes da competição, assinou um termo onde se comprometia a não divulgar opinião pessoal ou críticas que prejudicassem a CBV, os patrocinadores e os parceiros comerciais. E, ainda segundo ele, o “Fora, Bolsonaro” indiretamente poderia atrapalhar contratos e parcerias futuras.

Os auditores divergiram. Dois acharam que os patrocinadores não foram prejudicados e a absolveram. Já outros dois concordaram que sim, mas acharam que a multa, simbólica, tinha que ser transformada em advertência.

Coube ao relator, Robson Vieira, votar pela advertência, mas sem antes passar vários recados. Para todo e qualquer esporte brasileiro.

Falou em puxão de orelha.

Falou em se expressar num momento inadequado.

Falou que seria inviável se os atletas, dentro das quatro linhas, começassem a dizem em quem iriam votar.

Falou em fuga do contexto

Falou para o bem do esporte, os atletas, que são os artistas do espetáculo, não podem falar dentro da quadra de jogo.

Entretanto, todos foram unânimes em dizer que em casa, nas redes sociais, numa entrevista, os atletas podem falar o que quiserem.

O problema é dentro do “local de trabalho”. Ou seja, o problema não é o lugar de fala. É o lugar onde fala.

Ao reforçarem com Carol que, em caso de reincidência, não haveria advertência e sim uma punição mais severa, o STJD está dando uma aviso claro aos atletas de todas as modalidades.

“Estamos em período de eleição, já pensaram se os atletas saem do jogo e dizem na entrevista em quem vão voltar?”, enfatizou o relator Robson Vieira.

Recado claro.

Porém, duas observações importantes sobre o julgamento. O termo que os atletas assinaram fala em não “prejudicar ou denegrir” a CBV e seus parceiros comerciais.

Melhor retirar o “denegrir”. O termo é pejorativo e já causou muita polêmica pelo cunho discriminatório e racista que carrega em suas letras agrupadas.

A outra é em relação ao bolsa-atleta. Questionada por um auditor, Carol explicou que não recebe o auxílio desde outubro de 2019.

E se recebesse? Qual o problema? Quem recebe o bolsa-atleta precisa concordar com o governo em exercício? Claro que não. O nome é bolsa-atleta e não bolsa-militante ou bolsa-ativista ou bolsa-partidário.

A criação do bolsa-atleta sempre teve um só objetivo. Ajudar os atletas a se dedicarem exclusivamente aos treinamentos, ajudando na preparação para competições internacionais, onde vestem e representam as cores do Brasil.

Não é preciso nenhuma contrapartida ideológica, qualquer que seja o governo, de direita, centro ou esquerda, qualquer que seja a preferência política do desportista.

Senão vira cabresto. E cabresto quem usa é o cavalo e não o jóquei.

Autor: ,postado em 14/10/2020


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